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Jornal de Rolandia

A polêmica do repasse às creches

03/10/2009 16:07

Grupo de pais lota sessão da Câmara de Vereadores de Rolândia, preocupação é com o futuro das creches filantrópicas do município

As pessoas foram à Câmara para pressionar em busca de uma melhor solução para as entidades e para as crianças As pessoas foram à Câmara para pressionar em busca de uma melhor solução para as entidades e para as crianças

Centenas de pessoas compare-ceram munidas de faixas e cartazes à sessão da Câmara de Vereadores de Rolândia na noite de segunda-feira 28 de setembro. Composto de pais de crianças e funcionários das cinco creches filantrópicas do município, o grupo foi protestar contra a possível readequação das verbas repassadas pela prefeitura para as entidades – o que as colocaria em uma situação mais crítica.

Segundo pessoas ligadas às creches, técnicos da Ação Social e da Contabilidade da prefeitura fizeram uma reunião no dia 17 de setembro para passar algumas orientações. “O mais estranho foi que cada uma das cinco entidades teve uma reunião em separado. Isso não é normal”, disse uma pessoa de uma das entidades. O teor principal das reuniões foi a questão da utilização do repasse da prefeitura que deveria ser usado para aquisição de bens de consumo e não na folha de pagamento dos funcionários dos centros de educação infantil.

O motivo de tal orientação é que se os salários continuarem a serem pagos com o dinheiro repassado pelo Poder Executivo a folha de pagamento da prefeitura incharia e passaria dos atuais 51,27% do dinheiro arrecadado, que é o limite máximo aceitável pelo Tribunal de Contas do Paraná (TC-PR). A prefeitura pode utilizar 54% da arrecadação para pagar os funcionários e quando se chega a 90% desse valor, ou seja, 51,25%, o Tribunal faz a sua parte e avisa do perigo. Se passar dos 54%, o município tem, no ano posterior, que tirar essa diferença, por exemplo, se gastar 56%, precisa gastar, no máximo, 52%. Isso tudo além de ter o risco de suas contas não serem aprovadas pelo TC.

Hoje, as cinco entidades filantrópicas de Rolândia que cuidam de crianças tem em torno de 80 funcionários, o que totaliza cerca de R$ 60 mil em salários – boa parte desse dinheiro provém do repasse da prefeitura,

As creches reagiram, pois a folha de pagamento é justamente a prioridade nos centros de educação infantil e para a qual o repasse da prefeitura é inteiramente utilizado. “Bens de consumo e de limpeza nós recebemos de doação, mas dinheiro não”, resumiu uma funcionária.

Os pais das crianças atendidas pelas creches souberam da situação e se organizaram para reivindicar sobre o repasse, pensando no futuro dos filhos. “Há em torno de 600 famílias e 800 crianças atendidas por essas entidades e, se preciso for, levaremos todos para as ruas para discutir o assunto com a população”, afirmou Paulo Marchetti. Ele afirmou que o movimento foi espontâneo, assim como a decisão de ir para a Câmara de Vereadores.

Reunião com o Executivo

Na tarde de quinta-feira, o Poder Executivo faria uma reunião com as creches na prefeitura municipal. O objetivo é buscar maneiras e mecanismos para que a situação fique sob controle, nas entidades e na prefeitura. Até o fechamento desta edição do JR, o encontro ainda não tinha terminado.

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