29/08/2011 13:44
Peso-pesado terá atenção especial para as Olimpíadas. Brasileiros já pensam no ouro por equipes no Mundial do ano que vem, em Salvador
No último duelo, Rafael Silva enfrentou o pentacampeão Teddy Riner (Foto:Marcio Rodrigues/FOTOCOM.NET) A França não teve moleza para ganhar o Mundial por equipes de judô, no domingo, em Paris. Nem o gigante Teddy Riner, pentacampeão mundial. Aos 24 anos, 2,03m, 150 quilos e o singelo apelido de Baby, o brasileiro Rafael Silva levou a luta decisiva contra a máquina de ippons francesa para o "golden score" e perdeu por um yuko, o placar mínimo do judô.
- Riner não é imbatível, mas eu ainda tenho uma defasagem técnica e também física em relação a ele. Tive algumas chances durante a luta, mas ele dominou a minha manga e impediu que eu fizesse a pegada. É um craque nisso – contou Rafael.
Baby trocou o caratê pelo judô apenas aos 15 anos, quando começou a treinar em Rolândia, no Paraná. Há apenas um ano e meio faz parte da seleção brasileira e desde então vem disputando seus primeiros torneios internacionais. A comissão técnica aposta muito nele e acredita que nos próximos dez meses até as Olimpíadas Rafael poderá melhorar muito.
- Ele é muito disciplinado, vem crescendo tecnicamente e está seguindo as orientações nutricionais. O Riner tem uma condição física melhor, mas o Baby tem tudo para ser mais técnico que ele – afirmou Ney Wilson, coordenador técnico da seleção, que revelou uma ideia, que ainda precisa ser amadurecida - Estou pensando em levar os meio-pesados e os pesados para um período de treinamentos na Rússia ou em outro país do leste europeu.
Brasileiros contam com a torcida em Salvador-2012
Apesar de felizes com a prata, os judocas brasileiros não ficaram totalmente satisfeitos e acreditam que o ouro inédito tem tudo para finalmente vir em Salvador. Em outubro de 2012, a capital baiana vai receber o Mundial por equipes e de veteranos.
Entre os integrantes da seleção brasileira, a opinião é unânime: a torcida faz diferença e joga junto. Os franceses praticamente lotaram os 17 mil lugares do Palais Omnisports Paris Bercy. Fãs de judô, eles questionaram a arbitragem e tentaram influenciar a favor dos seus judocas o tempo inteiro. Como as regras e a pontuação dependem muito da interpretação dos árbitros, é comum as decisões penderem para os donos da casa.
- Tive a impressão que o francês já estava fora da área de luta quando me deu o ippon. Mas aí a torcida se manifesta e a arbitragem acaba tendendo um pouco para os donos da casa – disse Leandro Cunha, primeiro a lutar no confronto final. O Brasil contava com a vitória dele, que é duas vezes vice-campeão mundial, para bater a França – Eu estava bem confiante e se vencesse, daria moral para a equipe toda – completou.
O meio-médio Flávio Canto, único judoca a participar das cinco medalhas que o Brasil conquistou por equipes até hoje – quatro de prata e uma de bronze – acha que o ouro está amadurecendo. A chance no ano que vem e em casa é ideal.
- A primeira prata que ganhamos em 1998, na Bielorrúsia, foi um superfeito, comemoramos muito e foi um divisor de águas para o judô brasileiro, que passou a ser referência no mundo. Hoje, 13 anos depois, é bacana sair daqui com outra prata, mas pensando sempre em ganhar o ouro no próximo Mundial. Esquentamos aqui em Paris para ganhar em casa – afirmou.
Os primeiros integrantes da seleção brasileira de judô desembarcam no Rio e em São Paulo na manhã da próxima terça-feira. Na bagagem, além da prata por equipes no masculino, cinco medalhas – duas de prata e três de bronze -, o maior número já conquistado pelo país em um Mundial.
fonte: globo.com
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