17/08/2010 08:26
Empresa rolandense transforma em fertilizante resíduos que poluiriam o meio ambiente
O projeto de reaproveitamento de efluentes do Curtume Vanzella, de Rolândia, foi elogiado em matéria da Folha Rural, publicada pelo Jornal Folha de Londrina no dia 12 de junho deste ano. No texto, o engenheiro químico Nelson Santos, diretor do IAP, afirma que o projeto é inovador, principalmente por ter sido feito com bases fundamentadas em pesquisas e estudos acadêmicos.
“O maior beneficiado nesse pro-cesso todo é o meio ambiente. Retiramos dos resíduos do curtime um fertilizante, que é jogado na agricultura, um fertilizante. Temos experimentos que deram certo e, a longo prazo, tentaremos extrair desse líquido um adubo orgânico seco, que é muito mais prático e poderá ser comercializado em grande escala”, explica Marcelo Vanzella, um dos sócios-proprietários do curtume.
A produção de couro no Brasil está historicamente ligada à poluição ambiental. Mas a iniciativa do curtume rolandense tem mostrado que é possível reverter esta impressãO. O grande poluidor dos curtumes é o cromo, um metal pesado utilizado no curtimento das peles, que serve para estabilizar as moléculas do couro, e que pode causar danos ambientais significativos se lançado a esmo na natureza, como era feito antigamente. A dificuldade encontrada estava na concepção industrial que se tinha de curtumes, na qual as águas dos diversos efluentes eram todas misturadas.
O primeiro passo dado pelo Curtume Vanzella, aplicando tecnologia, foi fazer uma reestruturação completa na planta industrial permitindo que a água com cromo fosse separada dos demais efluentes. Essas águas passaram a ser tratadas isoladamente, e o metal pesado, depois de separado e concentrado, encaminhado para um aterro sanitário classe 1, autorizado e aprovado pelo órgão ambiental competente.
Um poderoso adubo
Portanto, o efluente residual, sem presença de cromo, torna-se um produto rico em matéria orgânica, cal, nitrogênio e diversos micro-nutrientes. Mas, infelizmente, não havia técnica científica que permitisse a aplicação deste material no solo com total segurança ambiental e garantias na melhora da produtividade.
Em 2002, o Curtume Vanzella fez uma parceria com o agrônomo Alexandre Martines e um convênio com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP). Dele, nasceu um conjunto de pesquisas de campo sobre o efluente sem cromo em casa de vegetação e em laboratório, para avaliar as alterações microbiológicas e químicas do solo, e a percolação de nutrientes que poderiam contaminar o lençol freático, além de serem testadas diferentes dosagens deste material no desenvolvimento de culturas de milho e soja.
Estes experimentos demandaram bastante tempo e investimentos, mas como fruto deste trabalho hoje há várias publicações científicas comprovando a eficiência deste material como corretivo de solo e fertilizante, bem como a determinação da dosagem correta a ser aplicada para aumentar a produtividade sem colocar em risco o meio ambiente.
Estes estudos estão sendo discutidos por órgãos ambientais de outros estados e Martines acredita que o trabalho científico feito em Rolândia possa servir para embasar uma legislação federal para destinação de efluentes tratados em curtumes em todo país. O Curtume Vanzella está mostrando que é possível mudar a imagem de poluidor que o setor historicamente possui, indicando que com essa atitude, além de não agredir o meio ambiente, pode beneficiar a produção agrícola, fato que a natureza agradece.
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