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Jornal de Rolandia

Embargo da Rússia preocupa suinocultores do Norte do PR

13/06/2011 10:15

Criadores já experimentam queda no preço da carne e prevêem falência da atividade

Suinocultores do Paraná e, em especial, os das regiões Norte e Oeste do Estado estão preocupados com o embargo imposto pela Rússia à carne brasileira. O país europeu é responsável pela compra de 33% da produção do Estado.

Por conta do embargo, o preço do suíno já começou a despencar no mercado interno nos últimos dias. Embora os consumidores possam agora adquirir uma carne mais barata, a situação pode causar grandes prejuízos ao setor produtivo. Nem o inverno, quando o consumo aumenta, anima os suinocultores da região.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), em 2010 o Paraná exportou para a Rússia 19 mil toneladas de carne suína, o que gerou uma receita de US$ 48 milhões. A Abipecs informa que neste ano, mesmo antes do embargo, a Rússia já havia reduzido a importação de suínos do Brasil em 18%. O setor já estava em alerta. Além disso, a oscilação dos preços faz parte da rotina dos criadores que, mesmo diante dos altos e baixos, têm garantido a sobrevivência da atividade.

“A decisão da Rússia em suspender a compra de carne suína (e ainda bovina e de frango) do Brasil é uma medida mais política do que técnica ou sanitária, o que eles querem é fazer com que nós compremos mais produtos deles”, afirma Nelson Guidone, de Arapongas, um dos mais tradicionais criadores de suínos do Norte do Paraná. Segundo ele, a alegação de problemas sanitários não tem nada a ver com o embargo, “pois o Brasil é o que adota tecnologias e a melhor sanidade do mundo na criação de animais”, garante. “Nosso milho e nossa soja, que fazem parte da alimentação animal, também são produzidos com a melhor tecnologia e a melhor segurança alimentar do mundo, o que não acontece na Europa”, declara.

Em algumas regiões há produtores falando em abater suas matrizes, desanimados com esta situação. Mas não é assim que pensa o criador de Arapongas, que é especialista na criação de reprodutores e mantém hoje em torno de 500 matrizes em sua granja na Estrada do Bule. “Nós produzimos a melhor genética do planeta e temos que continuar. Nós não podemos acabar com nossas matrizes porque são feitas há 35 anos. É difícil você formar um novo plantel dessa maneira”, avalia.

As granjas de suínos estão desaparecendo no Norte do Paraná, nos últimos anos. De acordo com Guidone, que é conselheiro da Associação Regional de Suinocultores do Norte do Paraná, dá para contar nos dedos as existentes hoje na região. São uma em Arapongas – que é a sua – duas em Rolândia, três de pequeno porte em Sabáudia, uma em Pitangueiras e uma em Maringá, além de algumas outras muito pequenas por aí.

Preço começa a registrar queda

O preço do suíno vivo no Norte do Paraná estava cotado nesta semana a R$ 2,10 o quilo, em média, um pouco acima do restante do Estado, que tem preço médio de R$ 1,80. Até o mês de abril e início de maio, a cotação estava na média de R$ 2,80, valor que os criadores consideram que era suficiente para cobrir os custos de produção.

A Associação Regional de Suinocultores do Norte do Paraná diz que o momento é crítico e pede a interferência do governo federal. Uma das medidas pode ser a aquisição do excesso de ofertas no mercado doméstico. A compra poderia ser distribuída em escolas, para compor a merenda, em presídios e no Exército. A ideia, de acordo com a associação, é enxugar o mercado para que o preço não caia ainda mais.

Depois de 40 anos como produtor de suínos, o criador Nelson Guidone, de Arapongas, dá uma ideia do que fazer se os preços caírem ainda mais. “Se cair mais, é melhor dar os suínos de presente para a população. Eu acho que o futuro da suinocultura no Paraná é acabar”, desabafou ele em entrevista ao Canal Rural, nesta semana.

Setor produtivo está angustiado

O prejuízo do embargo russo à carne brasileira, tanto à suína como à de frango e bovina, pode ser grande, como explica o presidente da União Brasileira de Avicultura, Francisco Turra. “As entidades e empresas estão angustiadas, é uma situação complicada especialmente para a suinocultura brasileira, porque 45% das exportações eram para a Rússia. Nós da carne de frango exportamos 4%, mas o número também é significativo, nem tanto pela perda, mas pela imagem. Houve uma informação generalizada de que havia problema com sanidade”.

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, anunciou que vai cumprir todas as exigências feitas pelo governo russo no que se refere às questões de defesa sanitária, mas o governo brasileiro quer um prazo maior para evitar a suspensão das exportações de carne brasileira, prevista para começar no próximo dia 15.

Rossi acha importante aguardar o resultado das auditorias feitas pelo governo brasileiro nas unidades indicadas pelos russos e não descartou a possibilidade de haver outras motivações para o embargo. Vale lembrar que a Rússia quer o apoio do Brasil para ingressar na Organização Mundial do Comércio (OMC).

fonte: tnonline.com.br


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